Sobre medo e gratidão

O medo paralisa. Eu tenho me sentido infeliz e presa na minha inércia pessoal. Já estamos na metade de 2022 e não fui capaz de realizar grandes mudanças na minha vida, pior, não consegui manter as atividades básicas funcionando. Não publiquei nem o texto do final do ano no blog.

Nessa época chega o momento de reflexão e preparação para o ano seguinte. Finalmente tive alguns dias de férias e pude começar a colocar as coisas em ordem. Eu realizei alguns objetivos, tive muitos medos e senti as dificuldades de entrar na vida adulta. São novas contradições e decisões a serem tomadas, em muitos sentidos me sinto uma adolescente ainda.

No geral eu me senti impotente no ano que passou, sem forças para pensar. Foi um ano um tanto sombrio, na verdade. Apesar de eu estar fazendo terapia e de estar bem melhor em comparação a quando eu cheguei lá, eu percebi que ainda preciso trabalhar muito a minha mente.

Desenvolvi uma certa ansiedade com assuntos relacionados ao trabalho e a pós-graduação. A notificação do Whastapp me desperta uma vontade de ignorar e me esconder. Recebi muitas responsabilidades novas no trabalho de repente e elas não pararam de chegar em 2022.

Li alguns livros do desafio, mas não me motivei a escrever e compartilhar. A pós-graduação também está paralisada há meses, logo vou sofrer penalização pela falta de resultados. Estou tentando me tornar uma adulta funcional e uma mulher forte, mas ainda me sinto uma criança.

Apesar da minha culpa e autocobrança, 2021 acabou com um sentimento de gratidão. Eu acompanhei a minha avó a uma missa, lá o padre fez uma benção no final, pediu que nós segurássemos os itens que desejávamos abençoar, seja chaves, documentos, chaveiros, água ou qualquer outra coisa. Nesse momento percebi que as minhas mãos estavam cheias de bens a serem abençoados. Apesar de tudo que me deixa mal, lembrei que tenho muito mais para agradecer do que para reclamar.

O padre também fez uma reflexão curiosa, vou reproduzir aqui. Imagine que você esbarrou em uma xícara cheia de café. Responda: Por quê você derramou café?

Talvez, como eu, você tenha pensado em alguma desculpa do tipo “foi um acidente”. Eis que o padre responde: porque a xícara estava cheia de café. Se tivesse chá teria derramado chá. Se tivesse água, idem. A moral dessa história é que a vida está o tempo todo nos chacoalhando. O que você está derramando?

Essa é uma reflexão que eu quase tinha esquecido. Foi bom voltar a escrever e reencontrá-la. Acho que fiz algum progresso nesse ponto, acredito que eu não derramaria apenas sentimentos negativos.

Por fim, gostaria de finalizar esse texto com uma citação de um dos livros que eu deveria ter resenhado esse ano, quem sabe ele aparece logo por aqui.

Seja heroico!

[…]

Seja heroico na busca. Saiba o que você deseja na vida, e não espere que aconteça, mas busque-o com toda sua vontade. Não busque a felicidade, mas a realização (e aceite a demora).

[…]

Seja heroico e saiba: heróis não podem ser sempre heróis, há muitas outras coisas a fazer.

Antes da Festa – Saša Stanišić

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